Entediei-me.
Um dia, quem sabe, voltarei ao negócio.
Bons sonhos.
Faça como eu: baixe tal gravação ao visitar o blogue Periecos Brecho. Lá tem até a discografia completa do Frank Zappa. Contudo, hoje teremos só Art Ensemble of Chicago e seu Les Stances a Sophie. Abre com a musiquinha mais legal que descobri neste ano fraco de sons. Puta música a tal de Théme de Yoyo. Nove minutinhos com queixo caído.
Um número na Mega Sena e doze na Lotomania: merda, não foi desta vez que mandarei meu emprego para o lugar escuro e fedorento onde sai coisas que nosso organismo rejeita e também não será desta vez que correrei para a Livraria Cultura do Conjunto Nacional com um carrinho de supermercado. Entupir um carrinho com livros é um sonho de consumo. Demanda cartão sem limite de valor, mas no momento, devo para minha operadora. Tem cinco anos que dei o cano em todos por motivos que vão longe deste texto. O sabor do jilo cru da quebradeira me pegou. Só agora poderei fazer alguma coisa a respeito. Vida na merda é boa para se ver de fora. Entretanto, agora eu tenho um emprego não formal. Menos mal. Se queres saber, leitor curioso, tenho o emprego mais desvalorizado do Brasil, ie, sou professor. As coisas estão melhorando, creio eu. Se tudo der certo, em 2010, quito todos os credores. Não irei arrumar cartão salvo se acordar numa manhã de domingo com os volantes dos jogos sorrindo para mim.
Um amigo que pediu para não ser indentificado afirmou uma vez na mesa de bar que preferiria o fim da humanidade à filhos. Visão sábia do mundo. Lá em casa, escolhemos pelo não contato do esperma com óvulo. Eu tenho meus motivos e dona patroa os dela. No melhor dos mundos, filhos serverm para contar vantagem e dar dor de cabeça. Não os quero. Meu egoismo bipolar não os permite.
Estou aqui escrevendo enquanto gravo um DVD com arquivos. Backup de arquivos necessários para limpar o HD. Tava pensando com meus botões sobre a primeira geração de blogueiros. Eu e minha pequena fazemos parte dela. O pessoal cresceu e resolveu ter filhos para emporcalharem o mundo. Negócio ficou chato. A culpa dos blogues terem virado uma merda não é do Noblat. Jornalismo é uma merda a qualquer hora do dia. O que pega: os que traziam algo novo para uma pseudo-literatura livre de qualquer compromisso, tornaram-se pais. Fralda de nenem requer cuidados que sou incapaz de lidar.
O texto termina aqui. Eu também perdi a graça, pois escrevo o contrário do que o pessoal da minha faixa etária pensa. Pau no cu deles e no meu também.
Certamente, ela já apareceu em alguma encarnação de HDC. Repetirei:
Quittin’ to you would be like swallowin’ piss for eternity. – Charles Bukowski
A gente acha cada coisa disponível na Internet. Por exemplo, O Enigma de Kaspar Hauser: belo filme alemão feito em 1974.
Eu tento ser o rei da baixaria, mas o pessoal da zelite mineira sempre consegue me vencer. Nunca poderei competir com eles, os senhores do mundo. Minha vantagem é que sou ficcional e eles, não. No Hora do Povo tem a matéria com toda sua pompa comunista genial e sua “liberdade” editorial longe dos periódicos bons para limpar a bunda de merda.
Mal começou no emprego e o novo docente já balançava o maço de volantes. Ele estava sentado na varanda da escola quando me disse que tinha uma técnica para apostar. Nos meus anos de loteria, nunca soube dum macete para alavancar os prêmios. Ele me explicou que era pelo somatório dos números, mas que só funcionava na Lotomania. Perguntei-lhe se havia ganho algo.
- Se eu tivesse, estaria aqui dando aula?
Deveria ter lhe perguntado quanto tempo já era praticado o macete, mas deixei pra lá.
Mais tarde, visitei o site de emprego que pago. Nada. Pensei nos gastos que já tinha para me realocar no mercado de trabalho. Talves, se eu tivesse aprendido a concursar c0m força, sairia mais bartato.
Depois de anos como blogueiro, realizei que sou foda. Sou o segundo melhor da minha raça. Felizmente, só perco para minha mulher.